Espelho de rostos
mortos
Numa casa de campo em ruínas, existia um espelho marcado
pelas feridas do tempo, pendurado numa pequena divisão resguardado pelos
barrotes torcidos do telhado onde a chuva dos invernos se intrometia
espalhando-se no soalho de madeira gasto pelos passos de ratazanas.
Do outro lado do espelho, apinhavam-se vultos do passado,
rostos mortos de olhar pálido e confuso. Seguravam o espelho e espreitavam para
a vida que lhes foi tirada. Um coro de formas numa pelicula de filme mudo, reféns
da sua própria condição. A vaidade foi traída pelo pensamento eterno da
juventude.
Espelho meu!!!!!
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